T.O.: The Wolf of Wall Street
R.: Martin Scorcese
I.: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie
Este é um filme que difere do resgisto habitual do tema ligado a Wall Street. Não que dê uma visão muito diferente ou mais positiva da alta finança, antes pelo contrário - oferece-nos uma perspectiva realista e completamente depravada da realidade. É uma abordagem explícita, sem rodeios, nem nada a dourar a pílula.
As quase 3 horas de filme contam-nos a história de vida de Jordan Belfort, sendo uma adaptação da sua própria autobiografia, mas que na tela é representado por Leonardo DiCaprio. Sob a direcção de Scorcese, esta longa metragem leva-nos numa espiral, primeiro ascendente, e depois completamente devastadora deste vendedor nato que Belfort é. Numa montanha russa completa, o "Lobinho" (alcunha da personagem principal) mostra o que é preciso vencer na selva financeira: álcool, muita droga, muito sexo e, claro, muito dinheiro. E a chave para alcançar os objectivos está em conseguir vender aquilo que as pessoas procuram, criar a oferta para a procura. Naturalmente que, à medida que o empreendimento vai crescendo, a imaginação e as ideias novas têm de acompanhar, tornando as vidas de Belfort e dos seus sócios num verdadeiro bacanal financeiro.
É digna de nota a forma exímia como Martin Scorcese dirigiu toda esta roda viva. É preciso um grande talento para conseguir retratar uma vida (principalmente esta "entre mãos") com tanto realismo, embora já tenha habituado bem o público com as suas várias longas metragens, de destarcar The Taxi Driver(1976), Tudo Bons Rapazes(1990), O Aviador(2004) e Shutter Island (2010), entre muitos mais. O Lobo de Wall Street vem, de igual forma, tornar a provar que a parceria Scorcese/DiCaprio resulta sempre bem e, por isso mesmo, sucede não raras vezes.
A partir desta película podemos ter uma ideia de até onde nos pode levar a loucura, a ganância e a ociosidade. Creio que esse foi um dos objectivos dos interessados em projectar a história. Não é todos os dias que se têm acesso a um exemplo tão realista e "sem papas na língua". Assim sendo, não é um filme para ir ver em família e aviso que pode ser bastante ofensivo para pessoas que sejam mais sensíveis, pois o número de cenas "indecentes" e com linguagem menos própria é elevado.
No entanto, esta não é uma crítica ao filme, antes pelo contrário. É assim que as coisas são, é assim que o realizador escolhe apresentá-las. A minha única crítica é a duração excessiva do filme. Se por um lado é difícil tratar este tema em pouco tempo, creio que sensivem mente 2h/2h30 teriam sido suficientes.
Bom filme, aconselha-se, sem esquecer, no entanto, os avisos que foram previamente apresentados.
Que crítica tão bem elaborada! Estás de parabéns! Beijinho.
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