domingo, 12 de outubro de 2014

Take 16: Os Maias


T.O.: Os Maias
R.: João Botelho
I.: Graciano Dias, Pedro Inês, João Perry


Em primeiro lugar, não tenho por costume ver filmes portugueses. Mas a este tinha de assistir e dar a minha opinião, porque se trata da adaptação cinematográfica, a cargo de João Botelho, da obra-prima de Eça de Queirós, que deste último já eu me confesso bastante adepta, principalmente pelo seu humor sarcástico.

Pondo de parte o aparte introdutório, faz parte de toda a crítica decente uma breve síntese da narrativa, apesar de provavelmente esta não precisar de grandes descrições. A obra centra-se na história de família Maia ao longo de três gerações, focando-se depois na última com a história de amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. Em torno do romance, está sempre presente a caracterização da sociedade e dos costumes portugueses próprios de meados do século XIX.

Em termos de actuação, dou os meus parabéns a todo o elenco, principalmente Graciano Dias (Carlos da Maia) e Pedro Inês (João da Ega), que tiveram prestações impecáveis. Inversamente, considero que a actriz brasileira escolhida para interpretar Maria Eduarda, Maria Flor, não foi a opção mais feliz.

As duas questões que mais poderiam suscitar alguma relutância em ir ver o filme seriam a sua duração (3 horas) e o facto de a maior parte dos cenários serem pintados, devido ao limite do orçamento. A fita está muito bem concebida, por isso, quanto a mim, o tempo passou num abrir e fechar de olhos. Por outro lado, toda a narrativa nos é apresentada como uma peça de teatro, o que fez com que os cenários pintados (e magnificamente bem pintados, por sinal) fizessem todo o sentido.

O único aspecto que posso e penso que devo apontar é que a genialidade das sátiras de Eça passou, em grande parte, ao lado. Penso que teria sido mais interessante ver um pouco de trama política e caracterização social e não ser a parte romântica das três gerações tão explorada. No entanto, pode ver-se no início do filme um subtítulo que diz “Cenas da Vida Romântica”, o que é já uma ressalva por parte do realizador que nos indica o que nos vai ser fundamentalmente apresentado.


Assim sendo, considero que esta é uma obra digna de ser vista e aplaudida. Espero sinceramente que o nível do cinema português volte a ser elevado como já o foi noutros tempos.

1 comentário:

  1. Apesar da história conhecida, o que poderia passar um pouco despercebido, obrigada pelos pormenores interessantes no que respeita ao filme que o tornam de certo mais interessante Ana Antunes

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