T.O.: Os Maias
R.: João Botelho
I.: Graciano Dias, Pedro Inês, João Perry
Em primeiro lugar, não tenho por costume ver filmes portugueses. Mas a este tinha de assistir e dar a minha
opinião, porque se trata da adaptação cinematográfica, a cargo de João Botelho,
da obra-prima de Eça de Queirós, que deste último já eu me confesso bastante
adepta, principalmente pelo seu humor sarcástico.
Pondo de parte o aparte introdutório, faz parte de toda a
crítica decente uma breve síntese da narrativa, apesar de provavelmente esta
não precisar de grandes descrições. A obra centra-se na história de família
Maia ao longo de três gerações, focando-se depois na última com a história de
amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. Em torno do romance, está
sempre presente a caracterização da sociedade e dos costumes portugueses próprios
de meados do século XIX.
Em termos de actuação, dou os meus parabéns a todo o elenco,
principalmente Graciano Dias (Carlos da Maia) e Pedro Inês (João da Ega), que
tiveram prestações impecáveis. Inversamente, considero que a actriz brasileira
escolhida para interpretar Maria Eduarda, Maria Flor, não foi a opção mais
feliz.
As duas questões que mais poderiam suscitar alguma relutância
em ir ver o filme seriam a sua duração (3 horas) e o facto de a maior parte dos
cenários serem pintados, devido ao limite do orçamento. A fita está muito bem
concebida, por isso, quanto a mim, o tempo passou num abrir e fechar de olhos.
Por outro lado, toda a narrativa nos é apresentada como uma peça de teatro, o
que fez com que os cenários pintados (e magnificamente bem pintados, por sinal)
fizessem todo o sentido.
O único aspecto que posso e penso que devo apontar é que a
genialidade das sátiras de Eça passou, em grande parte, ao lado. Penso que
teria sido mais interessante ver um pouco de trama política e caracterização
social e não ser a parte romântica das três gerações tão explorada. No entanto,
pode ver-se no início do filme um subtítulo que diz “Cenas da Vida Romântica”,
o que é já uma ressalva por parte do realizador que nos indica o que nos vai
ser fundamentalmente apresentado.
Assim sendo, considero que esta é uma obra digna de ser vista
e aplaudida. Espero sinceramente que o nível do cinema português volte a ser
elevado como já o foi noutros tempos.
Apesar da história conhecida, o que poderia passar um pouco despercebido, obrigada pelos pormenores interessantes no que respeita ao filme que o tornam de certo mais interessante Ana Antunes
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