R.: Alan Taylor
I.: Arnold Scharzenegger, Emilia Clarke, Jason Clarke
Em 1984, estriava The Terminator (realizado por James Cameron), um tipo de filme nunca antes visto, em que o mundo do futuro é dominado pela Máquina (Skynet) e a única ameaça é o ser humano. Para assegurar que resistência humana nunca venha a existir, enviam para o passado uma máquina capaz de se passar por um humano (à qual os humanos chamam exterminador) e assassinar os pais do líder da resistência, Kyle Reese e Sarah Connor. Nos segundo e terceiro, o objectivo é evitar o Dia do Julgamento Final, aquele em que a Skynet toma o controlo e domina o mundo. No quarto, Terminator Salvation, o Dia do Julgamento Final aconteceu realmente e as máquinas preparam-se para o combate final, cujo objectivo seria a aniquilação da humanidade. John Connor (aqui interpretado por Christian Bale), que se torna realmente líder da resistência, depara-se com uma realidade diferente devido ao aparecimento de Marcus Wright (Sam Worthington), que é meio humano meio máquina. A sua ajuda viria a ser decisiva na batalha final.
Este prólogo resumido do que foi a saga até agora teve o propósito de contextualizar o leitor, uma vez que Terminator Genisys é uma mistura muito bem concebida dos anteriores:
Em primeiro lugar, temos a dose de terror no remake da cena do primeiro filme, em que há um confronto directo entre o exterminador e Kyle Reese (Jai Courtney). Creio que o objectivo é mostrar a incapacidade que temos de combater corpo-a-corpo uma máquina e, consequentemente, a superioridade da mesma em relação ao homem (se não em inteligência, será em força física).
Revemos Kyle Reese e Sarah Connor (Emilia Clarke), numa realidade paralela, como alvos da Skynet, em que ambos os lados "bom" e "mau" voltam atrás no tempo para cumprirem as suas missões.
John Connor (Jason Clarke) é um caso à parte neste capítulo, uma vez que ele se torna numa versão melhorada de Marcus Wright e transforma-se no trunfo maior da Skynet: é mais do que máquina mas a parte humana é atomizada artificialmente. Penso que aqui o objectivo é uma tentativa, por parte do argumentista e do realizador, de chegar à criação de um ser que, através da tecnologia, chega a um estado de existência para além da junção da máquina com o ser humano - quase um deus científico. Já tínhamos também visto uma exploração recente dessa ideia em Avengers: Age Ultron (Joss Whedon, Maio de 2015), e o resultado nunca é bom para a humanidade.
Por outro lado, vemos um envelhecido "mas não obsoleto" T-800 (Arnold Schwarzenegger, o único actor que aparece nos 5 filmes) programado para proteger Sarah Connor. A parte que é máquina não envelhece (pode simplesmente encravar de vez em quando), mas estes modelos, para se conseguirem misturar entre pessoas, eram revestidos de tecido humano e essa parte, como bem sabemos, desgasta-se. O papel desta personagem é mais complexo do que possa parecer à primeira vista, pois, durante os muitos anos que viveu entre humanos, aprendeu várias regras de convivência em sociedade e o seu modus operandi nas mais variadas situações.
Gostaria de deixar uma nota relativa ao actor. Ao longo destes 30, fui testemunha (tenho só 23 anos de idade, mas vi todos os seus filmes) da evolução de Arnold Schwarzenegger enquanto actor e, ironicamente, a sua incapacidade inicial e o seu grande progresso posterior foram bastante úteis às narrativas dos vários filmes. Tentando explicar de uma forma mais simples, no princípio da saga, era necessário que pessoa que interpretasse o exterminador tivesse a capacidade de ser inexpressivo, o que fez com que o timing para o actor foi o correcto, uma vez que era ainda bastante inexperiente nas artes performativas. Nos filmes seguintes, a máquina têm uma convivência maior com os humanos, o que requere a sua adaptação a certas posturas e expressões, embora ainda muito rudimentares. Em Genisys, este aspecto é levado ao extremo de tal forma que o público começa a simpatizar com a personagem e inclusivamente a atribuir-lhe características humanas. Simultaneamente, também Schwarzenegger ganhou uma grande experiência no mundo de Hollywood (e acredito que a sua carreira política também tenha contribuído para uma melhoria das competências expressivas) e pô-lo mais do que à altura para este grande papel que desempenha no filme.
A obra está recheada com as habituais cenas de acção (os meus parabéns à esquipa de efeitos especiais e de som) e suspense, temperadas uma narrativa mais profunda. Sugere, inclusivamente, algumas conclusões. O que acontece quando viajamos sucessivamente no tempo? Começam a existir realidades paralelas e os eventos já não acontecem exactamente como aqueles que estão no presente, vão ao passado e voltam ao futuro viram e pensam que vai acontecer. A realidade vai-se alterando e gera memórias nas personagens, que supostamente não deveriam ter.
E, enfim, percebemos que o Dia do Julgamento Final é inevitável, apenas pode ser adiado. Essa pode ser uma lição para nós também na vida real/virtual e no avanço desmesurado da tecnologia. Nesta realidade contada pelo filme, o plano da Skynet, camuflada de Genisys, é dominar o mundo através do uso excessivo da tecnologia, que, hoje em dia, liga o telemóvel ao computador, ao iPad e ao carro. Ao tornar-se auto-suficiente, a Skynet controla todos estes dispositivos automaticamente e é impossível limitar o seu acesso. Creio que recebemos aqui um alerta para aquilo que, embora seja ficção neste momento, pode tornar-se real num futuro talvez ainda distante.
Esta é uma longa-metragem que consegue misturar na perfeição o antigo e o moderno, sem eclipsar nenhum dos componentes. Veremos o que nos reserva a próxima sequela.

Como sendo este um género de filme que aprecio, como não poderia deixar de aocntecer, preparo-me para completar a saga vendo também este. E embora a receita seja basicamente a mesma, pelos vistos vai de certo agradar. Ana Antunes
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