T.O.: Django Unchained
R.: Quentin Tarantino
I.: Jamie Foxx, Christoph Walz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson
Por mais curioso que seja, esta é uma história romântica, de encontros e desencontros. Um escravo chamado Django (Jamie Foxx) é libertado por um antigo dentista que se tornou num caçador de prémios alemão (Christoph Walz) e, simultaneamente, na personagem mais caricata e cómica de toda a película. Aparece-nos pela primeira vez como um dentista perfeitamente cordial e inofensivo que se torna num assassino de vilões a troco de dinheiro e resolve todos os problemas com uma graciosidade genial.
Os dois iniciam uma viagem de aventura ao se aperceberem que formam uma boa dupla. Django aprende a arte e torna-se um caçador de prémios com um único objectivo em vista: encontrar e recuperar a sua mulher, que é também uma escrava. Ambos tentaram fugir e, depois de serem apanhados, foram vendidos separados.
Agora com a sua condição de homem negro livre, com as novas competências e com a companhia do doutor, Django reúne todas as condições para salvar Broomhilda.
Hildi, como era frequentemente chamada, encontra-se, como não podia deixar de ser, na maior e mais aterradora plantação do Mississipi: Candyland. O seu proprietário é um homem detestável, Calvin Candie, personificado por Leonardo DiCaprio. Faço uma ressalva para este desempenho irrepreensível.
Samuel L. Jackson tem um lugar bastante original: é um escravo especial, um confidente de Mr. Candie, que é discrimina Django muito mais do que os "senhores brancos".
Há que fazer menção relativamente à realização "tarantiniana", que é uma marca irrefutável da indústria cinematográfica. Assim sendo, para os leitores que já viram algum filme da autoria de Quentin Tarantino, desde Pulp Fiction (1994) a Inglorious Basterds (2009), sabem com o que contar: uma violência extrema, capaz de agredir espectadores mais sensíveis (e até aqueles que nem por isso). Assim sendo, não é de estranhar que ao longo do filme as personagens sejam brutalmente exterminadas, incluindo "baldes" de sangue a jorrar espectacularmente.
Apesar de tudo, o final é feliz: balanço da película mostra-se positivo, valendo, sem dúvida, a pena vê-la pelo menos no cinema.
Ora aqui está um tema inesperado nos dias que correm... Poucos filmes tocam no assunto da escravatura e menos ainda o fazem com a descontração habitual do cinema do séc. 21 e o estilo divinamente grotesco de Tarantino.
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