Antes de mais, gostaria de fazer um parêntesis, porque devo um pedido de desculpa por todo este tempo em que não publiquei no blog. Devo dizer que não deixei de ir ao cinema, está claro, e sei sempre o que está em cartaz e aquilo que mais quero ver. A diferença é que, de repente, vi-me sem tempo para fazer tudo o que quero e devo. Sei que há pessoas que se guiam pelas minhas críticas para terem uma ideia do filme a escolher na próxima sessão. Pois então, aqui vai a minha sugestão, apesar de não ter estado em muitas salas de cinema, mas que recomendo vivamente (e com isto já estão lançados os spoilers da minha análise emocional)! Posto isto, vamos ao que interessa!
T.O.: Rush
R.: Ron Howard
I.: Daniel Brühl, Chris Hemsworth, Olivia Wilde
Começo por felicitar Ron Howard por, depois de tantos outros realizadores verem a sua tentativa de dar a conhecer a história de vida de Niki Lauda falhada, ter conseguido a autorização deste último para produzir esta longa-metragem. Creio que a razão poderá estar no ângulo em como a história é contada e a parte escolhida como enfoque para o filme.
Rush conta a história de uma das maiores rivalidades no desporto de sempre, especificamente, Fórmula 1. É um combate garrido pela vitória entre dois corredores: Niki Lauda e James Hunt. São ambos faces de uma mesma moeda, extremos que se tocam e que se completam. Traduzindo por miúdos, Niki (Daniel Brühl) é o exemplo da disciplina, inteligência, racionalidade...de língua bastante afiada. Não se "reduz" ao politicamente correcto. Vemos no filme que correu pela BRM e pela Ferrari. James Hunt (Chris Hemsworth) é o condutor da McLaren, símbolo da irreverência, de viver cada segundo ao máximo, tirar o maior prazer da vida sem olhar a consequências. Ele tinha a coragem (ou loucura) necessária para fazer numa corrida o que mais ninguém fazia. Então, pesando estas qualidades (ou defeitos), qual deles o melhor?
Temos de recuar para o ano de 1976, em que o título de campeão do mundo era ferozmente disputado por estes dois ases, quando o ambiente das corridas era vivido mais intensamente, talvez porque o nível de risco era bastante maior do que hoje em dia. E todos sabemos que este sentimento de perigo que conduz à adrenalina torna o momento que o caracteriza mais belo e esplenduroso. Conseguimos sentir essa sensação através do envolvimento das filmagens e a excelente performance dos actores (sem esquecer as preciosas indicações de Niki Lauda, que fez questão de acompanhar todos os desenvolvimentos da película e de preparar Daniel para a sua difícil personagem). Acredito que Daniel Brühl tenha sentido uma grande pressão, tendo em conta que a personagem lendária que iria interpretar ainda está viva, ao contrário de James Hunt, falecido com um ataque cardíaco aos 45 anos de idade. Já estamos habituados a grandes prestações no grande ecrã, seja em Good Bye Lenin (2003), seja em Inglorious Basterds (2009).
A espectacularidade do filme (e o seu propósito) reside no acidente quase fatal de Lauda em 1 de Agosto desse ano, em Nürburgring, Alemanha. Uma falha técnica no Ferrari de Niki fez com que se despistasse e ficasse sujeito a estar num mar de chamas durante um minuto antes que um colega e assistentes da corrida o conseguissem tirar. Ficou com várias queimaduras na parte superior da cara e foi submetido a uma cirurgia para que conseguisse ver bem.
A parte mais marcante da sua vida e que fez dele um herói, foi o seu regresso à pista apenas depois de 6 semanas em convalescença, tendo terminado num admirável quarto lugar nessa primeira corrida após o acidente. Conseguirá ainda assim Hunt levar a melhor no campeonato, tendo de lutar contra tamanha força de vontade?
Digna de referência é também a interpretação de Marlene, mulher de Niki nessa altura, pela actriz Alexandra Maria Lara. Imaginar o que uma mulher sente e como reage nesta situação deverá ser bastante difícil, não podendo ter falado com a verdadeira senhora em questão. Isso não pode estar escrito em nenhum guião, embora o trabalho de Peter Morgan a esse nível tenha sido bastante completo e tocante.
Fica uma última nota sobre o final do filme. Acabamos por ter aqui uma visão daquilo que será o futuro de Hunt e Lauda, trazido aos espectadores de uma forma indescritível. De tal forma que, para que entendam, só tenha o seguinte a dizer: foi por isto que fiz questão de o ver duas vezes. E vê-lo-ei, com certeza, mais tarde de novo.
Como sempre Carolina tenho a dar-te os meus parabéns pela forma, como descreves parte do enredo do filme, embora o tema não me motive propriamente para uma ida ao cinema. Apena quero dar-te os parabéns pela tua sinopse aliás muito apelativa essencialmente para dar a conhecer o filme e para despertar não só a curiosidade por aquilo que foi uma história verídica, passada despercebida em alguns pormenores que vão dar de certo outro interesse ao filme, mas para pôr em alerta todos os amantes deste tipo de desporto. Um beijo Aninhas
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