terça-feira, 2 de junho de 2015

Take 25: Spy

T.O.: Spy
R.: Paul Feig
I.: Melissa McCarthy, Jason Statham, Jude Law    

Tive o prazer enorme de assistir à antestreia desta que é sem dúvida a melhor comédia do ano e, para mim, dos últimos tempos. Quando ouvi falar do filme e li a sinopse, nunca pensei que estas personagens resultassem bem o suficiente para me fazer rir durante os "curtos" 120 minutos.

A narrativa centra-se em Susan Cooper (Melissa McCarthy), uma agente de escritório e monitorização que se oferece para entrar numa missão do terreno, como agente infiltrada para desmantelar uma operação terrorista no submundo do crime. Fine (Jude Law) e Ford (Jason Statham), que eram considerados como "verdadeiros agentes", e Nancy (Miranda Hart: Magicians, 2007), a sua amiga de escritório, vão (des)ajudá-la nesta aventura cheia de peripécias.

As deixas são absolutamente cómicas e feitas à medida de cada personagem. Não sei se o realizador e argumentista, Paul Feig (Despedida de Solteira, 2011), foi o autor de todas as falas, mas foi realmente genial. Considero difícil escrever comédia a sério. Parecem conceitos contraditórios, mas na verdade, é diferente uma pessoa ser cómica por si e fazer os outros rir no seu dia-a-dia de outra que escreve o argumento de um filme que se sabe pelo cast que vai ser um hit e conseguir arrancar de cada frase uma gargalhada do público. Pergunto-me, simultaneamente, se algumas destas deixas não terão sido ditas espontaneamente pelos actores, já experientes, e que Feig deixou ficar por se encaixarem perfeitamente na cena.

Outra nota que gostaria que gostaria de deixar aqui, reforçando o parágrafo anterior, é a qualidade dos actores. Não é fácil fazer comédia, ao contrário do que a generalidade do público possa pensar. Há muitas pessoas para as quais ser engraçado não é inato. A minha reserva relativamente a esta questão prendia-se em Jason Statham. Estamos todos habituados ao seu papel de herói "durão" que participa em todos os grandes filmes de acção actuais - os Correio de Risco; Mercenários; Velocidade Furiosa 6 - e, talvez por isso, foi para mim inimaginável vê-lo num filme cómico. A surpresa agradável foi ainda maior ao ver que ele está ao nível de Melissa, que já é actualmente uma figura incontornável neste género, mas adopta uma postura oposto. É aquele tipo de personagem que tudo o que diz tem piada mas age como se fosse a afirmação mais séria e natural do mundo.

Jude Law também não é um actor de comédia e a sua personagem não segue essa linha. Bradley Fine é um espião de sucesso, muito ao estilo James Bond, que se vê em apuros numa das suas missões. As suas identidades são normalmente empresários ou pilotos de automóveis. E aqui a piada está na sua atitude tão impecável e despistada ao mesmo tempo (quando virem o filme, vão entender).

Susan Cooper é sem dúvida a alma desta aventura incessante e a actuação de Melissa McCarthy é digna de grande relevo. Através dela vemos como toda a narrativa se desenrola e ficamos com uma ideia clara de como a personagem evolui enquanto espia. Dá-nos mostra de uma inteligência e flexibilidade incríveis no meio de toda aquela loucura para a qual também ela contribui.

Como qualquer filme de espionagem, tem de haver o mau da fita, neste caso em forma feminina e personificada por Rose Byrne. Esperem por ver os desenvolvimentos em Budapeste.

Tenham por favor muita atenção a uma personagem que aparece em Itália em grande estilo num Alfa Romeo descapotável. Vão passar as gargalhadas da vossa vida. E é isto o filme: uma grande gargalhada que tem por trás uma produção infinitamente bem conseguida.

Estreia esta quinta-feira, 5 de Junho. Aconselho vivamente!    

1 comentário:

  1. Já fui convencida, preciso de umas boas gargalhadas e se estas estão garantidas...:) Ana Antunes

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